domingo, 7 de agosto de 2016

APESAR DO TEMPO

Parece que foi ontem. E já passaram 52. Todos sabem que não sou pessoa de festas de aniversário. Este ano não foi diferente. Esta coisa que eu tenho com o TEMPO  e o facto de chorar sempre que cantam os parabéns, fazem-me ser avessa a festas de aniversário e levam-me a adiar sempre a minha a festa de anos para o ano seguinte. Já vou nos 52 e ainda não fiz a festa dos 50. Comovo-me sempre com os parabéns! Os mais chegados sabem que tenho um truque para não chorar : Usar a letra do “parabéns a você” com a melodia da internacional socialista. Não sei porquê mas funciona sempre.

Hoje acordei a pensar no Mestre. Nele e na história da relação entre a biblioteca e a cidade, na relação que conseguiu construir com o poder eleito. Ele e o Carreira Marques mostraram de forma hábil , a partir de diferentes  áreas, como gerir a relação de poder capitalizando a imagem da cidade, a partir da Biblioteca. Lembrei-me de cada borrasca, cada embate , cada desafio. Estava a pensar e dei graças pela fabulosa experiência humana que foi acompanhá-lo nessa utopia.

Hoje acordei cedo para Andarilhar em emails , mapas, orçamentos, programações e dei por mim a pensar nos lugares por onde já andarilhámos em 23 Anos de Biblioteca e 14 anos de Andarilhas. Dei por mim a pensar nos milhares de crianças, jovens , adultos que pelo menos uma vez nas suas vidas, foram tocadas por projectos,actividades, por experiências de escuta , desenvolvidos pela biblioteca . Pensei nos milhares de livros emprestados, nos milhares de mãos que tocaram as páginas de milhares de livros , nos milhares de orelhas que escutaram  pensamentos , reflexões, histórias , nos milhares de conversas com criadores, obras, vidas.  Estava a pensar e senti-me antiga.

A funcionária pública, autora deste blog, entrou há 2 meses em Modo Andarilhas estado que se agudizará previsivelmente nos próximos 30 dias.  Pede desculpa pela ausência. Quando for possível regressa. Se valer a pena talvez insista em escrever.  Um Abraço Andarilho. Tapaquepelimpim.


domingo, 24 de abril de 2016

O que é POETAR ?

Tenho a casa cheia de visitas  -   destino partilhado por muitas casas nestes dias de OviBeja  – e ainda falta fechar a solta destas Columbinas 2016.
Ontem tivemos uma tarde bonita e serena na biblioteca:a Cláudia Sousa com o seu Andersen e meia dúzia de propostas simples dinamizadas pela prata da casa: aqui a inventar-se  uma cidade, ali a carvoar um auto retrato, além a pastelar um Miró  ou a dançapintar com os pézinhos. Há bibliotecas com sorte. Têm boa prata.
Ando inquieta , tenho insónias (nada como uma insónia para me fazer regressar a este " funcionária pública " tão abandonado ) e decidida a POETAR recusando a ser confundida com a mobília, que, como todos sabem, é o pior que pode acontecer a um funcionário público. POETAR interpelando  um ninho, uma pomba, uma imagem, um texto, usando uma máquina de fazer poesia, lendo muita poesia, falando sobre as palavras e desenhando-as no ar .Percebe-se que este POETAR contrariamente ao que a palavra poderia sugerir de contemplativo, dá um trabalho do cão: aqui "poetando" nas escolas da cidade, ali "poetando" nas freguesias e para fecho, "poetando" no Papa Livros, "poetar" sozinhos ou acompanhados por Vergílio, Mésseder e isto sempre a pensar sobre. (pensar sobre é quase tão inquietante como POETAR)   
Porque "poeto" assim? Porque acredito cada vez mais no trabalho em torno da expressão do poética na vida. Creio na poesia como um instrumento poderoso na relação com o literário e com a essência;: a descoberta do nosso lugar no mundo. Da nossa voz no mundo. Imaginem um mundo onde todos tivesse voz. 
Poetar é entre muitas outras coisas um estado de alma. Uma coisa tão verdadeira e onde se aprende tanto sobre a natureza humana que só isso paga o esforço e  dilui o desalento das ausências de sentido. Quem tem o direito de desalentar quando sabe que o seu trabalho pode apoiar a descoberta dessa voz? Quem pode desalentar quando escuta ou lê, escrito pelos miúdos, coisas fabulosas como esta?

“ Eu nunca acordo sozinho. Estou sempre acompanhado pelos possíveis e impossíveis.”
Juno / Eb1 S.Maior-Beja

“Pode parecer um coisa simples, um ninho, mas sagrado para quem o habita.”
Papa – livros

 “O sagrado é qualquer coisa pequena de imenso valor. Um grão de areia.”
Papa – livros.

 “O que é uma visita?
Alguém que entra para nos surpreender.”
Papa – livros.

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domingo, 24 de maio de 2015

A Bruxa das Festas em tempos de " Leitura Furiosa"


Há famas que ninguém entende e esta da Maria me chamar de “ bruxa das festas”, tem a sua piada. Suponho que saibam o que é uma bruxa das festas? Encontrei num dicionário improvável uma curiosa definição : “ Bruxas das Festas: expressão usada para designar velhas chatas que entram de rompante em qualquer lugar onde se esteja a louvar qualquer coisa - por exemplo uma princesa - e quando todos estão à espera de receber o ámen, entra a bruxa das festas, carrega o sobrolho e ZÁS! Lança uma frase ao vento. Por vezes prenúncios, por vezes avisos. Contam-se casos até de maldições. Partem deixando os salões em desalinho e um sentimento de alívio no peito. Dizem que as bruxas das festas tem boa memória e sabem ler os sinais. As bruxas das festas andam contra a corrente, mesmo que os caminhos sejam solitários. Raras vezes são vistas nos salões mesmo quando são convidadas. Conta-se que podem aparecer de repente e estragar um ambiente dizendo coisas chatas de escutar: quando a princesa tiver quinze anos picará o dedo no fuso e adormecerá para sempre! ( um exemplo entre muitos outros possíveis)

Escolho Maio para acabar o que comecei a escrever há meses, a propósito de um desabafo dito por um funcionário cansado com o facto de, apesar de toda a tecnologia instalada, a organização ser cada vez menos eficiente. (era um funcionário dos antigos da administração local e por isso andava rabugento como as bruxas das festas!). Desabafava o funcionário resistindo à doidice em que convertera o seu serviço, com tanta mexida simultânea sem planeamento adequado, revoltado com as incongruências, daquelas coisas em cadeia, decididas por cima e a ter repercussão em toda a organização, uma onda :
- Tanto email, para cá, tanto email para lá. Tanta coisa com o “está”  na aplicação. Não sei trabalhar com aquilo , porra! Afinal estão dois gajos, sentados um em frente do outro, a ver merdas na aplicação e não conversam porra! Mandam “émails” para “queim” ? !
Suponho que conheçam esta organização e alguns, poucos ou talvez muitos, se reconheçam nesta caricatura. 
O poder local e a administração pública em geral funcionam por ciclos eleitorais de 4 anos, muitas vezes com mudanças de liderança e cor partidária. Ganham-se umas eleições, expressam-se umas vontades, múltiplas determinações: acabar com quintas, trabalhar com todos, reparar injustiças. Anunciam-se linhas, estratégias, marcos, marca. Apostas. e estratégias, projectos centrais. Fala-se para fora e para dentro. E a malta dá-lhes o benefício da dúvida e esperançada continua a dar o litro, mais ou menos certa que, ao fim de dois anos, a máquina começa a estar afinada e as coisas começam a funcionar.

Como sei? Explico: Dois anos é o tempo necessário para uma organização se adaptar à torrente de mudanças que vão acontecer: mudam-se lideranças e logo os estilos, e logo os procedimentos, e logo os circuitos de informação, e logo os círculos de cumplicidades e proximidade com o poder, e logo as parcerias. Aqui e ali surgem os primeiros sinais, as primeiras faltas de respeito, os primeiros acertos de contas, as primeiras injustiças. Anunciam-se novos modelos de gestão, anunciam-se outras formas de trabalhar e a malta a ver que vai dar merda, a dizer que se pode fazer de outra maneira e a não ser escutada. Vamos levando o barco calando aquela vontade doida de dizer: Deixem-nos trabalhar porra! Para quê tanta sede de controle? Percebemos mais desta merda que vocês que acabaram de chegar. Confiem porra! Ninguém quer minar terreno.

Normalmente começamos a conseguir trabalhar com senso a partir do meado do mandato, altura em que desligam o MODO: ACABÁMOS DE CHEGAR!  Suponho que se reconheçam na caricatura e já tenham vivido algures nas vossas vidas de funcionários públicos aquele paradoxo que é ver desarticular o que se entendia funcionar mal mas sem capacidade de pôr a funcionar bem, de inverter rotas, inflectir caminhos e ficar tudo na mesma, às vezes pior. Decisões tantas vezes baseadas em insondáveis mistérios. Talvez alguns se reconheçam no desalento provocado pela sensação de vazio de liderança, de abandono, de confiança. Pela sensação de injustiça e de respeito por uma vida a dar o litro. Não desanimem, as caricaturas provocam este efeito. 

Importa dizer em defesa das lideranças que nas organizações nem todos dão o litro. Há também quem, independentemente de quem lidera, nunca dê o litro ( os espertos das organizações ) -  e também existem os que minam o terreno.

Importa também recordar que no meu círculo de trabalho tenho tido o privilégio de ter dado o litro ao lado de muitos e de não minar terreno a ninguém. Contrariando as práticas das bruxas das festas mais tradicionais – gostava pedir desculpa pela imodéstia ao me integrar neste grupo e a vaidade de o dizer publicamente pedindo desculpa por ser uma "colaboracionista" : nome que acabei de inventar para os funcionários públicos que independentemente da cor de os lidera, fazem o que lhes compete fazer e continuam a trabalhar.

 Mas a verdade meus amigos é que ando farta de trabalhar cada vez com mais ruído e menos informação e menos conhecimento – apesar dos emails e aplicações – sem perceber para quê que se faz, sem perceber porque se faz. Ando cansada de esperar por projetos claros que consubstanciem vagas estratégias e boas intenções e permitam dar sentido a investimentos de monta que todos pagamos. Estou cansada de ver por aí políticos, a tomarem decisões técnicas e técnicos a tomar decisões políticas e estou cansada das pequenas “chicas espertices”, dos acertos de contas, da soberba das máquinas partidárias, dos amiguismos e ismos. Nunca me consegui habituar ao recorrente “ faz e não bufes".

Preocupa-me que não se meça a real capacidade das organizações, que se menospreze as reais capacidades dos sujeitos na organização, que não se definam prioridades, que não se entenda que há equipas esgotadas a trabalhar muito acima de magro salário que auferem. Que se insista em abordagens e discursos falaciosos sem querer perceber que só um trabalho cada vez mais articulado e verdadeiramente participado pode possibilitar maior eficiência e acabar de vez com as quintas, com as prateleiras - sejam elas douradas ou empoeiradas.

 Hoje, dia em que se celebra a “ Leitura Furiosa “ decidi escrever sobre o que me anda a assombrar os dias, as horas e assim dar dimensão pública ao que tenho dito tantas vezes, ao longo de tantos anos, nos locais certos, sempre em primeiro lugar internamente, cumprindo o dever de obediência e lealdade que devo a quem me paga a pão. Faço-o porque lamento que na vida das organizações, apesar de todas as declarações de abertura, articulação e parcerias continuemos a trabalhar sem clareza e muitas vezes sem retorno. Lamento que se assista à perda de espaços, momentos, de coordenação de trabalho, de articulação e planeamento do caminho e sobretudo de reflexão.  Porque me pesam nos ombros os silêncios, as ausências, as irresponsabilidades, o desnorte das decisões, as incoerências, as inflexibilidades e intenções adiadas e depois de dois anos de espera ativa : tenho andado a ocupada a dar o litro – sinto crescer em mim as impaciências dos cinquenta e estou mesmo quase a ligar o “ foda-se” e deixar andar. ( desculpem o vernáculo)

Trabalho na administração local há 27 anos e ainda não me acostumei. Há muito tempo que deixei de necessitar de ter sempre razão ou ser compreendida pelas sucessivas administrações. Cada vez mais o que me move, é estar inteira nas escolhas que faço. Estar inteiro  naquilo que fazemos, naquilo que somos , é sempre uma ESCOLHA.  ESCREVER O QUE PENSAMOS TAMBÉM. Acostumar-me não está na minha natureza de bruxa das festas.
As bruxas das festas têm estas coisas e nem sempre são fáceis de entender. Falam línguas secretas, antigas. Línguas que soam a fado e a premonição. Porque já viveram muito, reconhecem os primeiros sinais de nobreza e desnorte, de força ou de fraqueza, de tolerância ou inflexibilidade. Porque são bruxas farejam ao longe, no ar , os sinais de longínquas caçadas. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Um Beijo Grande - disse do hospital a tia Sol

 - Este é o Tm da Julia . Um Beijo Grande - disse do hospital a tia Sol na quinta- feira , numa breve mensagem e partiu pela madrugada de domingo. Despedirmo-nos assim da vida é uma surpresa . mas também uma graça. Só mesmo ela, para se despedir assim! de repente.

A tia Sol está presente na minha vida desde  sempre e a sua chegada era sempre celebrada. Naquele tempo a tia Sol tinha um carro divertido e fumava. Lembro-me de ficar presa nos gestos da tia Sol a apanhar o isqueiro, as unhas pintadas, as mãos com anéis a segurar o cigarro, no fumo que saía pela boca escurecida.  
Vivi na casa da Tia Sol em Silves aí pelos 10 anos e mais tarde , asilava umas dormidas no Festival da Paz, no festival da Cerveja, ou para ficar em Portimão à noite. As Casas da Tia Sol sempre foram um mistério. A de Silves, com um corredor que a percorria de lado a lado,  uma saleta onde eu dormi tantas vezes, uma luz que tenho gravada nas retinas, a de Portimão com aquele caos absolutamente organizado, povoado de recantos de memórias. A tia Sol sabia falar grosso ou dar colo. Fazia malhas como uma doida e nunca chorava nos funerais- não sei como ela conseguia, mas começo a compreender.

Foi minha professora. Era tesa e ensinava bem. Tinha um olhar sobre o que deve ser escola e a relação entre professor aluno que a fazem,  ainda hoje pertencer à elite de professores que guardo na memória. Tinha um amor profundo pela minha mãe e partilharam uma vida profissional e pessoal.
Nos últimos anos, quase todos os domingos, chegava com um folar delicioso e um ramo de flores para a minha mãe . Vinha emprestar ouvidos e partilhar dores.vinha conversar. Quando estavam as duas e o meu pai sossegava, sentavam-se falavam de cor, almoçando e aviando uma litrada de tinto da Vidigueira, outras vezes uma "Champanhoca". A tia Sol e a minha mãe sempre foram dois "bons" copos. Nunca lhe perguntei se era feliz, mas acho que sim, apesar das suas silenciosas dores. . O riso e o corpo andavam a dar sinais . Nos últimos meses, eram mais raras as gargalhas inconfundíveis da tia Sol. A vontade de viver expressava-se na forma solidária como se colocava ao serviço das causas em que acreditava. Era mandona! Quando coincidíamos no dia e nos encontrava-mos em Lagos  conversámos: contava dos seus, escutava dos nossos, faziam-se as grandes conversas cúmplices, com ela a lavar a loiça na cozinha- o cigarro acesso no cinzeiro-  e a camisa toda molhada encharcada. Lavar a loiça era uma das funções da tia Sol. Nunca foi visita.
Foi a primeira mulher da casa a mandar um homem da casa levar na bilha! História célebre que se contará sempre que se fala da tia Sol.

Eram célebres as "empenas de crista" que havia entre a tia Sol e o meu pai nos almoços de domingo. O meu pai sempre foi um homem de hábitos . Bons e maus . Sentava-se à mesa depois de o chamarem 400 vezes - o que irritava toda em gente em geral e a tia Sol em particular - e depois de se instalar, ia pedindo de forma avulsa os ingredientes, os objectos que lhe faziam falta. era sempre o mesmo. ao almoço e ao jantar : agora mais um copo, depois  o sal, o limão , agora o galheteiro e um prato para a saladinha , logo depois o picante, a faca que estava manchada, a carne que entretanto esfriou, o copo que tinha uma dedada – e enquanto o pai na cabeceira dizia ou por vezes gritava para a Cozinha : Oh Maria Joséééé! ,!oh Cristinaaa!, Oh Riiiiita! Oh Biiiiia !, Oh Caroliiiiiina! –  a pequenada e o mulherio fazia de cada refeição uma permanente cadeia de montagem ao serviço destes santos hábitos. Aí pelo terceiro pedido ,a tia Sol começava a encher… escutavam-se pequenas picardias,  ao longo da refeição o tom ia aumentando e  quando o meu pai,  depois de mandar aquecer a carne duas vezes, rematava com a useira frase  : -  Está bom p’ra dar ó pórque! ( deve ler-se à algarvia ) – aí … era o fim do mundo!
Aquela frase tinha o dom de acender a veia revolucionária da tia Sol: - Oh ! Eugénio Porra! Francamente… pá! Que conversa de mer… . Então se levantasses o c…. e fosses buscar o que precisas à cozinha ?! Oh Pá ! Pede tudo de um vez pá ! - ficava destemperada e logo ela que falava um tão bom português.
O meu pai provocava : - Oh Sol não te irrites , que ficas feia! - talvez não fossem exatamente estas as palavras , mas a rotina era mais ou menos esta, não havia surpresas!

Até ao dia em que o Fernando ousou imitar o Sogro e teceu um comentário gozão e provocador, ligeiramente depreciativo em relação a um almoço, em relação a "boa" embocadura das senhoras da casa ( leia-se a tia Sol e a Minha Mãe ) , um “ Pudim de espargos “ , não sei precisar:
- Zézinha, na qualidade de teu genro, lamento que tenha vindo a notar alguma perca de diversidade no repasto e até de alguma qualidade no atendimento, onde é que já se viu não colocarem as bebidas no frio . E a falta do salmonetinho? ... Já se comeu melhor nesta casa! . terá sido o final do comentário , imagino ... Não recordo em detalhe a natureza do comentário mas sei que  ele acendeu a veia de revolucionária da tia Sol. Tenho a certeza que escutei a célebre frase :
- Oh Pá ! Fernando, vai levar na bilha! – O Fernando não foi. Mas nunca mais se recompôs!

Este fim de semana não escutámos a gargalhada com o ligeiro ronquinho  a terminar , aquele que fazia quando dobrava o riso , faltaram as flores. mas ficou a história. Esta, pequena, e muitas outras todas as que contamos para chamar ao presente aqueles que tendo partido,  estarão sempre e incondicionalmente presentes nas nossas vidas?  

Um Beijo Grande !

 

domingo, 11 de maio de 2014

Falar de Abril em Maio


“ Ser solidário assim para além da vida /Por dentro da distância percorrida / Fazer de cada perda uma raiz /e improvavelmente ser feliz(…)”

 Existirão muitas maneiras de falar de Abril. Tantas como as palavras que o contam. Eu escolho, por agora, as palavras dos poetas. Ninguém melhor do que os poetas para falar dessa “ (…) madrugada tão esperada, esse dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e  livres habitamos a substância do tempo”- um poema maior de Sophia de Mello Breyner Andresen que desta forma evocou a maior conquista de Abril: a liberdade.

Ao olhar para a distância percorrida, as nossas primeiras palavras são de celebração e homenagem aos homens e mulheres que antes de Abril estiveram onde era mais difícil estar e lutaram e lutam , com a força das suas convicções, pela construção de um País mais justo e mais livre, mais solidário. Foram muitos os que, de muitos quadrantes, de muitos credos, de muitas ideologias, fizeram a história desta revolução. Uma história contada a muitas mãos , 40 anos de história onde todos nós fomos e somos co-autores. Talvez por isso e cada vez mais Abril seja uma data sem donos.

Não poderia senão trazer-vos as palavras dos poetas para falar de Abril.Sou uma mulher que tem uma convicção profunda na importância das palavras, da leitura e da cultura como um instrumento poderoso na transformação dos sujeitos. Quem não tem palavras para expressar o que pensa, o que sabe , o que diz, está condicionado nas suas escolhas, limitado no exercício dos seus direitos de cidadania. E para muitos, ainda hoje, Abril tarda em cumprir-se, pleno.

Habito uma casa de livros. nela está guardada a História do Mundo e do Pensamento e esta conta-nos como os livros e a liberdade sempre se relacionaram, por isso “(…) os livros se queimam, se censuram em épocas de ditadura – dura de ouvido, dura de cabeça, dura de duração e se promove a educação e a literacia em tempos de dita – livre, tempos de livro-pensadores” ( Maria Teresa Meireles).

Regresso às palavras de José Mário Branco  e a um seu texto de 1979 – tão actual que parece ter sido escrito hoje – um texto que nos desassossega e interpela:

 (…)podes ir para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, Podes estar descansado que estão todos a tratar de ti , tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! (…) Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas.

Dou voz às palavras do poeta porque temo
que as experiências laboratoriais que são feitas em economias como a nossa, apenas tenham como resultado alimentar um ciclo  infernal  de austeridade de empobrecimento, de controle social, e de perda de autonomia e soberania e que a estas de associe a perda direitos fundamentais: Educação, Saúde, Segurança Social, Cultura – consagrados naquela que é a carta dos direitos de cada cidadão português: a sua constituição.

temo as consequências das repetidas instrumentalizações do estado ao serviço dos grandes interesses privados, às vezes partidários, às vezes até dos pequenos e mesquinhos interesses pessoais.

porque só nas palavras dos poetas encontro o abraço que me abriga do autoritarismo do poder, da inflexibilidade do eu quero, posso e mando, da incapacidade de escutar, de infletir rumos, hipotecando projectos estruturantes importantes para o desenvolvimento dos territórios, para a qualidade de vida das populações.

Trago hoje a esta sala a palavra do poetas, porque nelas mora esse Abril primeiro, inocente e limpo, que nos convoca a resistir e que nos anima a permanentemente a reinventar : Ai, Zé Mário (…) E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partir para ganhar, partir para acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar... Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grândola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia?  

Acho que todos diremos que sim, que valeu a pena, que foi longa a jornada e mais longa ainda a que precisamos empreender para chegar ao lugar onde se joga a possibilidade de nos podermos construir como homens e mulheres inteiros. Obrigada.

Cristina Taquelim/representante do Movimento de cidadãos por Beja com Todos /25 de Abril / 2014.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

quando ele assobiava nos corredores...

  
 Tenho saudades de ouvir aquele assobio do Mestre pelos corredores , alternando , o trautear da música do Chico - ou melhor  o "traulitar" da letra : (...) "Aqui em Beja tão jogando futebol/ uns dias chove, noutros dias bate o sol (...) - com o assobio desafinado. Quase sempre terminava repetindo até á exaustão (..) mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta (...)

 
Nada melhor que um samba para começar o dia , para contar os dias. "(...) Muita careta pra engolir a transação/ Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro/ E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro/  Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho/ E a gente vai se amando que, também, sem um carinho/  Ninguém segura esse rojão. " ( Excerto amputado)
 
Sei que não existe nada maior do que o TEMPO... até no amansar da dor. Fica uma saudade do cão das coisas vividas, das cumplicidades, das risadas, das partidas , das bocas foleiras. das manias . DAS CONVERSAS ... e a dor vai passando devagar . Até parece que  ainda foi ontem que estivemos juntos.
Deixo um samba e um Abraço para ele e para os seus ,  
Cá de casa : meu , do Fernando e das crianças.
A Rita aproveita pra também mandar lembranças.
De todo o pessoal .
Adeus.

sábado, 25 de janeiro de 2014

A autora deste blog ENLOUQUECEU !


O Ultimo Imposto
- Aqui tens a pelle ó tyrrano e acabemos com isto .
O osso cá fica para a espadeirada municipal.
Rafael Bordalo Pinheiro
A funcionária pública autora deste blog , vem agradecer  ao governo de Portugal, o empenho em  tirar "a crise do país "- que , como todos sabem se encontra em franca retoma - e mostrar aos altos pensadores da administração,   como se sente reconhecida pelos seus 23 anos de trabalho, de serviço público, expressos no valor do recibo de vencimento do mês de Janeiro.

Sublinhando a natureza estimulante do corte salarial , a funcionária pública autora deste blog, declara-se mais do que nunca empenhada em contribuir para o aumento da produtividade  nacional  e aplaude as soluções praticas - sempre mais do mesmo- que se repetem na administração, sempre postas ao serviço da alta finança.

A funcionária pública e autora deste blog tem esperança que o governo não fique por aqui e anseia que chegue Março para contribuir de novo para o esforço nacional ( ADSE) e servir o estado, descontando mais algum e garante que nas próximas eleições dará o seu voto  a quem tão bem nos governa(ou) e continuará apostar com confiança na alternância democrática: Agora Tu | Agora Eu!

A funcionária pública , autora deste blogue exorta todos os seus pares a mostrar o seu reconhecimento pelas medidas agora tomadas e a enviar ao governo e às troikas que o pariram, vivas felicitações e esta imagem do Grande Bordalo! Ou outra ... a do manguito ...!

 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Hoje lembrei-me do Henrique ...


O Henrique - hoje um belíssimo poeta – era mais novo do que eu e o melhor do grupo a fazer relatos. Os nossos pais andavam sempre juntos: agora um petisco onde se combinava uma sardinhada nos pinheiros. Agora a sardinhada onde se combinava uma pescaria. Agora uma pescaria onde se combinava um petisco … Era um tempo, com imenso tempo, em Lagos no principio do anos 70. 
O Henrique é um desses amigos que vem do tempo em que as famílias iam passar o dia na pesca: Os homens saiam com as canas e camaroeiros e a minha mãe e as outras mulheres, ficavam junto da carrinha a preparar "os comeres" . Do tempo em que se dormia a sesta dentro da carrinha e os miúdos transgrediam contando anedotas do Bocage. Lembro-me daquela vez em que os homens se atrasaram na pesca , as velhacas - assim lhes chamava a minha avó - terem comido tudo o que havia para comer e bebido tudo o que havia para beber- medronho inclusive – a ponto de lhes terem servido cascas de caracóis de almoço.  Na carrinha o Henrique fazia de locutor de rádio , enquanto relatava o jogo Sporting Benfica de 74 , com Eusébio, Damas e muitos outros .
Há muito tempo que não estou com o Henrique. Fez-se um bonito Homem. Uma Pessoa bonita. Encontramo-nos pouco hoje, se calha, e quase sempre de corrida. Mas sempre que nos vemos há um brilho maduro e feliz , uma chispa, um olhar profundo de quem se conhece à quarenta e cinco anos, desde o tempo dos golos do Eusébio. Parece que o estou a ouvir:
- E Eusébio recebe isolado. E… avança para a área , demolidor e…. aguenta a carga e ….. GOOOOOLO do Pantera Negra.
Ninguém o fazia melhor que o Pantera.
Ninguém o fazia melhor que o Henrique.
Temos de combinar um café na Britaica, ou na Ritinha! Tenho de lhe levar de presente  este texto que descobri do O'Neill : 

«Uma coisa me consola, Eusébio. É que não fui eu quem cobriu Você de adjectivos, de apodos, de cognomes mais ou menos imaginosos. Não fui eu quem disse que Você era a pantera, o príncipe, o bota de oiro, o relâmpago negro, o coice para a frente, o astropata. Também não fui eu quem disse que o seu nome era Eusébio. Dar o Eu a Eusébio, que pretensão! Derive, derive e vire, vire e atire sem parança, Eusébio, seu genial tragalhadanças!»

sábado, 4 de janeiro de 2014

Dia Terceiro

Trabalhar com pessoas e palavras é quase sempre uma experiência humana intensa.
Não consigo expressar o fascínio e o desafio que representa trabalhar com tantos e tão diferentes tipos de públicos.  
Hoje terminei a segunda mini - oficina na EP de Beja .
14 almas , gente interessada e interessante, um projeto de promoção de leitura em contexto prisional, desenvolvido por uma técnica da organização onde trabalho e com quem colaboro pontualmente. O contexto não é fácil. Histórias que imagino  serem pesadas,  a julgar pelos textos que se escrevem nas  celas e que pouco a pouco são lidos em voz alta. A minha ideia de partida para estas duas horas , é cruzar micro ficção com aquilo que foi produzido ou melhorado,  por cada participante no isolamento da sua cela. Quero trabalhar na construção de relações intertextuais . Não sei se vou conseguir.
Sobre  a mesa alguns dos autores do meu modesto culto; António Torrado e o seu Conta Gotas, Millôr Fernandes e o seu Pif Paf, Afonso Cruz e o seu " Livro do Ano " , Álvaro Magalhães e o seu Brincador., Eduardo Galeano e a sua " Escola do Mundo ao Contrário " ... Para preparar a sessão o trabalho imprescindível da Margarida Fonseca Santos " Escrita " . Ontem fizemos algumas das brincadeiras de escrita com o nome de cada um,  a partir de imagens  e foram lançados alguns desafios. O grupo esteve bem, participou,  mas não floriu. Hoje sim , foi em cheio. Quase todos trouxeram as suas escritas , ou escritas alheias e durante duas horas escutámos, refletimos, partilhamos,  tantas formas diferentes de falar da vida, dos afetos e das emoções . Qual será o significado de estarmos ali a escrever e a ler ? Para que serve isto? Respostas simples e seguras: "dizer o que sinto ou penso, expressar a minha raiva, organizar a minha história". É impressionante o que acontece quando as pessoas ganham consciência de si:
- Você gosta mesmo disto ? - perguntam-me a certa altura ... acho que se referia aos livros.
- Sim, mas aquilo que eu gosto mais , são mesmo as pessoas!
Sorrimos todos e acho nos entendemos. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dia segundo - Informação

No sentido de assegurar que em 2014 , este blogue continuará a ser um espaço onde se discutem ideias e ideais , informamos que a partir de hoje não serão publicados comentários a post, cujos conteúdos expressem ofensas a terceiros ou sejam feitos a coberto do anonimato.

Aos lesados por esta medida tardia, envio as minhas desculpas.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Dia primeiro


Estou surpreendida com os ecos que o vento me devolve.
Escutar o vento é quase sempre bom mas...  também é preciso dizer que por vezes, à  força de ser repetidos, os ecos atropelam-se, deturpam as intenções , criam enganos ... e isto a ver pelo tom de alguns comentários que circulam neste fantástico abismo que é a internet - lugar onde nos podemos perder entre ecos - ainda a propósito da Carta a Bartolomeu.

Desta vez os ecos dizem-me que andamos a perder o centro , que se abusa do conforto do anonimato, se cai  na fulanização das questões. Dizem-me os ecos que corremos o risco de nos perdemos nas acusações e apreciações sobre quem fez , faz , ou fará maior estrago, incapazes de distinguir o acessório do central .. e o central é discutir hoje, passados tantos anos de ação do poder local democrático e de leitura pública , como recuperar a centralidade das Bibliotecas na vida dos cidadãos, não por que elas sejam o único acesso à elevação  do sujeito, mas porque elas são um poderoso instrumento na sustentabilidade de um projeto de desenvolvimento para um concelho. O central é discutir que políticas de leitura podem ser postas ao serviço do trabalho educativo, da formação de adultos, do trabalho social , de combate sem trégua às iliteracias e à exclusão, das políticas de valorização da identidade e da memória de uma comunidade, de acesso às linguagens que nos permitem que nos expressemos como sujeitos. E importa que essa discussão possa envolver os recursos humanos que possuímos, o melhor que soubermos e pudermos.

Por aqui me fico neste dia primeiro! Estou a ficar sem tempo pois ainda tenho de preparar  a oficina de escrita no estabelecimento prisional , as sessões com as minhas Marias : as da Cabeça Gorda - onde vamos começar com o "A Minha boca parece um deserto" - e as de Santa Vitória, onde vamos começar a ler a Marabília e estou deserta para lhes falar do espanto daquele lugar, Azinheira Velha, onde uma mulher um dia foi engolida pela terra. Tenho de preparar o encontro dos meus meninos com o livro "Avós" e começo a ficar sem tempo.

Abraços grandes para todos e felicidades para este ano acabadinho de estrear!





domingo, 29 de dezembro de 2013

Carta a Bartolomeu

Carta a Bartolomeu

Caro Bartolomeu lembrei-me de si no outro dia, a propósito do que anda a acontecer com as novidades editoriais, misteriosamente desaparecidas dos escaparates das Bibliotecas Públicas Portuguesas. De vez em quando somos surpreendido com um título desconhecido - porque se mudou de lugar, ou prateleira - mas novidades, novidades, nem vê-las. Resolvi experimentar na biblioteca m
ais próxima, a de Beja, com Marabília, o livro de Teresa Meireles, recentemente editado. Uma “ belezura de livro”, dirá o meu amigo quando o ler.

Quem me atendeu foi um rapaz simpático. Referenciou no catálogo os livros que tinham da autora, uma longa lista e também os pedidos de reserva e informou com modos de desculpa:
- Esse exactamente, Marabília, não está disponível. Mas a espera é pequena, um mês e picos. Posso também tentar um empréstimo inter - bibliotecas? - sugeriu sorrindo - mas se a senhora gosta desse Universo, posso sugerir-lhe … escutei nomes familiares e agradeci a gentileza. Vê-se que teve bom mestre:
- O leitor vem comprar riscado e se não tivermos o riscado, mostramos o que temos: o xadrez, as pintas , o estampado de flores a serrapilheira e… se nada servir, pede-se emprestado, encaminha-se … mas o leitor tem de sair da Biblioteca com uma resposta. - dizia o Mestre dos Mestres da leitura pública.
- Pode imprimir a lista do que está disponível da autora?- pedi-lhe insistente.
- Gostaria muito minha senhora, mas temos as impressoras fora de serviço e não tenho previsão de uma solução. Posso no entanto, assim que recuperar o sistema informático, enviar por email, para a menina das fotocópias e ela imprime dali, ou para o seu email pessoal.
– E já têm o livro do Afonso Cruz ? O “ do Cultivo das Flores de Plástico – perguntei decidida em aprofundar a experiência e já agora também, em matar aquela necessidade de leitura urgente, em ultrapassar a assimetria que representa viver na província, em ter uma resposta local para as minhas necessidades culturais, em conseguir aceder gratuitamente ao que não posso pagar, em levar o livro na hora!
– Pois esse também ainda não temos - respondeu delicadamente - mas posso enviar-lhe um email assim que estiver disponível?
Ele sabe, que em tempo de vacas magras não sobra muito dinheiro para a compra de livros, que em bolsa contada não há devaneios, e que as bibliotecas podem ter um papel fundamental na democratização do acesso à fruição cultural. Teimosamente insiste em fazer a sua parte :
- Temos todos os outros que o autor escreveu? Podem é estar fora. - Vê no computador e parte na direcção da estante, volta cansado, mas triunfante … aposto que este ainda não leu?

Dizem-me que nos últimos tempos é assim em muitas bibliotecas: aquisições de novidades com atrasos (entre seis meses, um ano, ou dez) dificuldade em adquirir serviços, programação escassa, centralizada, coordenadas por quem sabe pouco de leitura e/ou gerida por empresas exteriores, ares condicionados avariados, parque informático em mau estado. Dizem-me que por todo o lado as bibliotecas perdem espaço, na vida dos cidadãos e na vida das autarquias. Muitos bibliotecários, com dezenas de anos de trabalho e experiência, são tratados como se nada tivessem para dar novas politicas culturais: as serão executadas nos próximos quatro anos de mandatos eleitorais. As Bibliotecas que conseguem aguentar-se, tem normalmente equipas notáveis de funcionários, como o que me atendeu. Mas estão cansadas.

Recordo que em 2006 me disse, ou se não disse foi isso que eu percebi com o seu acento minerinho, que as bibliotecas são sempre o retrato do poder que as administra, do grau de exigência dos seus leitores mas sobretudo na genialidade e dedicação das suas equipas: - Se você quer conhecer a natureza de um político, a sua visão, visite as bibliotecas que dele dependem. Meninaaa! O Poder nem sonha a força que têm as Bibliotecas na mudança do Mundo. Se soubesse cuidaria melhor delas: das bibliotecas, dos leitores e das equipas.
Só o meu amigo para dizer esta frase!
Tenho saudades suas Bartolomeu e mando-lhe um abraço! Quando puder veja o que postei  propósito desta carta. Taquelim
 

domingo, 15 de dezembro de 2013

e já agora a propósito da carta.a Bartolomeu...

 


Vem este post a propósito do fim da comissão de serviço da Chefe de Divisão de Bibliotecas Maria Paula Santos e da decisão legítima do novo executivo, decisão que conheci no dia em que foi publicamente anunciada no boletim municipal electrónico, disponível para consulta pública em :http://www.cm-beja.pt/docs/PDFs/Documentos/Boletim_electronico/05/Despacho_Chefe_DE_e_resp_DB_-_29NOV2013.pdf ) - edição nº 5/2013.  Diz o despacho:





Não usarei estas linhas para fazer apreciações de carácter, sobre quem tomou a decisão ou lançar na praça pública assuntos que antes devem ser tratados na privacidade das organizações. Não tocarei em nomes. Tenho para cada um dos envolvidos deveres institucionais e de lealdade pessoal. Tenho um compromisso para com os leitores e não leitores com quem trabalho. Tenho deveres para com a equipa que integro e que todos os dias dão seu contributo para a criação de um HOMEM NOVO, aquele que - como dizia Bento de Jesus Caraça - tem consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence; tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência como ser humano; o que faz do aperfeiçoamento do seu ser interior a preocupação máxima e fim último da vida.” (acho que usei esta frase num post antigo, a propósito de uma outra comissão de serviço , num outro equipamento cultural - aqui nesta etiqueta ( entre linhas)?

Tenho também deveres de consciência e por isso não me posso demitir de expressar publicamente que, apesar de reconhecer a legitimidade de quem assim decide, apesar de reconhecer total legalidade na decisão, discordo em absoluto com a forma como todo o processo foi gerido e também com a decisão tomada. Por isso deixo público, o meu comentário de funcionária pública, sobre uma decisão que é pública. Internamente, se me for dada tal oportunidade, comentarei o processo.

Também sei que existem outros enquadramentos legais, para esta situação e que outras soluções igualmente legais seriam possíveis. Soluções que garantissem o maior envolvimento da Biblioteca, através da sua representante directa, nos fóruns técnicos, onde se reflectem, discutem, questionam, fundamentam e apoiam, as decisões e a execução das políticas culturais do concelho.
 
Lamento o facto desta decisão, ter sido tomada em relação a um quadro dirigente de uma equipa que sempre deu provas, mesmo nas condições mais adversas. Uma equipa que nestes 20 anos de existência, não parou de encontrar novas soluções para novos problemas. Veja-se o que foi manter a biblioteca a funcionar, nos últimos anos, num quadro económico e social de grandes fragilidades, encontrando respostas para problemas de diferentes naturezas, identificando formas de trabalhar com baixos custos, concorrendo com projectos para encontrar financiamentos, realizando ainda as, por muitos consideradas, melhores Palavras Andarilhas de sempre. 

Lamento também o desperdício, pois a dirigente tem uma notável capacidade de trabalho, formação especializada na área da gestão autárquica, na área do planeamento e gestão documental, prestigio no meio e parece-me que qualquer novo executivo ganha em ter por perto gente que sabe e se dedica, mesmo que nem sempre concorde. Poder contar com técnicos que garantem com empenho, o trabalho que é feito num equipamento cultural, parece-me uma arma poderosa. Poder contar com um equipamento que possa ser o rosto de uma política cultural de qualidade num qualquer território, é um privilégio. E acho que já tenho tempo de casa suficiente para dizer, com alguma segurança que todos os executivos contaram desde a primeira hora com esta biblioteca. Foi assim com Carreira Marques, com Francisco Santos, com Jorge Pulido Valente. Os executivos e o Concelho.
Lamento que, existindo uma solução de coordenação de proximidade, conhecedora dos processos em curso, dos procedimentos, das rotinas em áreas técnicas especificas, das soluções já experimentadas, disponível para trabalhar com TODOS, não se tenha optado por manter a dirigente a coordenar a equipa, à semelhança de outros dirigentes que coordenam equipas sem serem chefes de divisão, possibilitando: acesso privilegiado à informação, mais eficácia na resposta e a possibilidade da Biblioteca participar na reflexão e discussão das questões sócio- educativas e culturais do concelho.

Lamento-o também, por considerar uma decisão profundamente injusta. Conheço a Paula Santos, há muitos anos, nos últimos cinco anos como minha superior hierárquica. Nem sempre concordamos, por vezes empinamos cristas, mas aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos separa. Reconheço-lhe alguns defeitos mas muitos mais méritos e um deles é nunca voltar a cara à borrasca e insistir, e argumentar, e pressionar para se encontrar uma solução para o elevador, para o ar condicionado e batalhar para que a máquina não pare, as impressoras funcionem, as novidades entrem na estante, que a programação faça sentido com o que andamos a fazer no terreno, para se responder com qualidade às necessidades dos leitores, para que se encontre uma solução informática estável e integrada para servir melhor os utilizadores e melhores condições de trabalho aos técnicos. Numa luta permanente para que a Biblioteca não perca centralidade, na vida da organização e na vida das pessoas, dos cidadãos.

Durante estes últimos anos aposto que passaram muitas vezes, depois da meia noite na Rua da Biblioteca, mas tenho a certeza que poucos olharam para a varanda. SE OLHASSEM , VERIAM , uma luz aberta pela noite dentro. Como no tempo do Mestre, a luz daquele gabinete é quase sempre a última a se apagar.

Espero que esta decisão se deva apenas a uma precipitação, um desajeitamento, fruto do turbilhão de decisões que tem de ser tomadas. Espero... e mais não direi sobre o assunto! Por aqui me fico, nos ficamos, continuando a trabalhar clássicos quando não há novidades, continuando a pensar e repensar como fazer mais tendo cada vez menos; a motivar equipas que há anos estão em perda salarial e de direitos de trabalho. Continuando a semear, como é nossa obrigação, trabalhando todos os dias para a missão maior das Bibliotecas: construir comunidades.

Devia este post à minha consciência e à Paula Santos.


 

domingo, 15 de setembro de 2013

De regresso ao blog e a propósito da XANA TOC TOC

Estou feliz por saber que os meninos de Beja vão poder aceder hoje à tarde ao espectáculo da Xana TOC! TOC! Vão fazê-lo na belíssima sala do Pax – Julia, numa espécie de despedida de férias e início do calendário escolar. Não conheço o espectáculo. 

Da criadora apenas conheço meia dúzia de vídeos disponíveis na internet e a história sobre o seu nome : Chama-se Toc Toc  porque passa a vida a bater à porta dos moradores da ilha dos sonhos- rodeada de magia, fantasia – inquietando-os com as suas perguntas.
    Sei também que é muito mediática cobrindo muitos tipos de públicos : crianças e adultos.
Salas cheias, estádios, a Norte a Sul e nas  Ilhas  como os vídeos e as fotografias, podem comprovar: uma moldura humana impressionante. Uma massa.
     Sei também que tem um marketing poderoso e curioso. No blog da artista, onde o clube de fãs deixa milhares de mensagens , anuncia-se que por " 19,99€ pode comprar um Pack completo Regresso às Aulas Xana Toc Toc  e receber como  oferta uma Bandolete ou Ganchos Xana Toc Toc. Esta oferta é limitada ao stock existentes."  Para bolsas mais curtas, o site propõe, por 4,80€ " um Livro de Atividades Xana Toc Toc 5 com o  Jogo dos Óculos Mágicos e  a Verdinha Toc Toc. (Histórias + Atividades + Autocolantes Coleção composta por seis entregas, distribuídas aos sábados de 1 de Junho a 6 de Julho de 2013, por apenas 3, 50 € na compra do DN ou JN. Preço total da coleção: 21€ + preço do jornal).
     É um espectáculo de música. Cada bilhete custa, 12€.
Suponho que à autarquia tenha custado apenas os recursos técnicos e humanos, refeições e um ou outro alojamento, já que está integrado no programa Rede Arte Sul com Co – Finaceamento INALENTEJO/QREN/EU.
Mas isso não interessa por agora!

Apesar de não me rever, gosto da ideia do TOC TOC perguntador. Parece-me que o marketing que o suporta deixa os nossos meninos e pais reféns da sua pobre educação para o consumo, que esta opção não fica bem tão próximo de uma campanha eleitoral. Mas também isso não me interessa: em tempo de guerra não se limpam armas.

O meu TOC TOC perguntador prende-se apenas com o facto deste espectáculo, ter sido proposto para financiamento por um conjunto de autarquias – o que é notável! – que o escolheram coincidindo no tipo de programação cultural e abordagem estética que oferecem para a sua comunidade– o que é surpreendente! - em detrimento de outro tipo de espectáculo ou projecto continuado que seja realmente transformadores – o que é dramático !
ToC.  ToC. Porque ? É  preciso começarmos a perguntar como a XANA ?

Porquê que as autarquias que integram esta rede, podendo explorar, propor outras possibilidades de cooperação, outro tipo de projectos que deixem marcas verdadeiramente transformadoras na educação das nossas crianças e famílias,  raramente o fazem?
Toc Toc . Porquê não aproveitar a oportunidade de uma Arte em Rede para trabalhar com os criadores locais ou outros convidados, propondo um trabalho sério: residências artísticas, projectos continuados - desenvolvidos em contexto escolar , ou extra escolar que resultem em performances espectáculos, que incluam actores, músicos,  e crianças?
Toc Toc . Porquê não candidatar outros projectos? : que possam desenvolver-se nas comunidades rurais mais pequenas; envolvendo crianças, jovens ou idosos, num trabalho inteligente que ajude a reconstruir relações inter geracionais e identidades, quebrar o isolamento e/ou as fraturas sociais?
Toc Toc – Porquê não aproveitar a oportunidade do trabalho em rede e respectivo financiamento para a construir projectos de formação de públicos, de desenvolvimento comunitário, que potenciem a voz das comunidades?
Toc Toc . Porquê que mais do que gerir as oportunidades que um financiamento comunitário nos traz, não se criam oportunidades para potenciar a relação dos cidadãos com  outro tipo de experiências estéticas, realmente transformadoras? Porque estas opções e não outras?
Não sei se alguma vez saberemos em Beja, o impacto social de projectos de outra natureza: construídos com as comunidades, partindo do que conhecem, dando-lhes a conhecer, oferecendo-lhes instrumentos para expressar.
Não sei se é possível sonhar uma outra cultura para os territórios? 
Ainda acredito que sim, por isso não me demito de fazer  TOC TOC e perguntar!


domingo, 26 de agosto de 2012

A FUNCIONÁRIA PÚBLICA INFORMA



RETIROU- se PARA PASSAGEM PELA OFICINA PARA REVISÃO E MUDANÇA DE PEÇAS . NO  REGRESSO ENTRARÁ EM  MODO  " FURACÃO ANDARILHO " .
Regresso improvável antes de Outubro. Residência nos próximos tempos " JARDIM PÚBLICO DE BEJA .

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Viver Abril em Maio!


São 3 horas da manhã e ainda estou no computador! Não estou sozinha. Em Lisboa , na Casa da Achada, no Porto na Fundação Serralves, em Amien na Associação Cardan, outros, muitos, trabalham furiosamente nestes dias.

Estamos em Plena Leitura Furiosa:  uma atividade fabulosa,  criada pela  Associação  Cardan, desenvolvida em Portugal pela Casa da Achada e que acontece em Maio,  uma espécie de ABRIL em  MAIO  onde, por três dias,  se vive um IMENSO pedaço de vida, de verdade.  Uma experiência humana fabulosa!

Viver em Maio, aquilo que de mais precioso nos vai ficando de Abril : a liberdade do pensamento e dos afetos – é um privilégio. 

Acabei de receber e ler o texto que o Afonso Cruz escreveu com o seu grupo. Dentro de algum tempo chegará o  da  Conceição Ruivo. Duas pessoas muito especiais. Em Beja serão ilustrados pela Susa Monteiro e pelo Paulo Monteiro. Enquanto espero, de outros lugares - Porto , Amien,  Lisboa -  vão chegando : histórias, poemas, canções, cartoons, ilustrações – lentamente…  unindo   umas centenas de pessoas num imenso puzzle de amores e desamores pela  leitura, pela vida.

Acabei de receber um texto de  Regina Miranda , feito a Norte com adolescentes, agora  as ilustrações do Alberto Péssimo , tantas . Dezenas de textos e ilustrações vão chegando a conta gotas,  textos  construídos em parceria com  velhos, refugiados, adolescentes, mulheres e homens que nestes dias ganham consciência sobre o que é criar, o que é a leitura, a força da palavra.

Imagino como ficarão os olhos de X, Y , Z, quando escutarem de H,  as palavras de embalo  que lhe habitam o peito e a memória. Quinze homens, quinze histórias que queremos todos , que venham a ter um final feliz. Obrigado malta da Horta. Imagino e guardo.

Sei que quando escutarem os textos, os olhos da Helena  e da Gisela, do Márcio e restantes técnicos  , ficarão mudos de emoção e todos daremos por bem aproveitadas , as 10 , 12 , 14 horas , destes últimos dias de trabalho: horas EXTRAORDINÁRIAS!

Recebo e arquivo. Organizo. Confiro. Tudo tem de estar pronto amanhã à tarde para a Susa Monteiro fazer a maquete da brochura , que será impressa domingo de manhã pelo Gomes e pela Florbela , apresentada no Domingo, lida e cantada pelo David Silva, pela Ana Oliveira , pelo Serafim.

Gostava que a casa estivesse cheia. Que todos fossem escutar as palavras , as histórias que contam  as alegrias e dores, as gratidões e ingratidões dos dias,  os quotidianos e sobretudo as ESPERANÇAS. 

Dar voz a quem não tem voz : esse é também o papel de uma Biblioteca. PÚBLICA!
E só agora me lembrei: - Porra! Esqueci-me de picar o ponto !

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Bibliotecas sem sono


 http://youtu.be/G463Dx201jw
http://www.livrosminiatura.com  . projecto de João Lizardo  -)

Existem bibliotecas improváveis:
bibliotecas de caixas de fósforos
bibliotecas de brinquedos de madeira ou latão
bibliotecas de papel
Existem bibliotecas de livros do tamanho de um bago de milho
que pulsam na palma de uma mão.
Existem bibliotecas improváveis
as que se reinventam sem parar
as que ardem
as que crepitam mesmo nos dias mais frios.
Existem bibliotecas cheias de ar, vazias,
outras , cheias de risos, palmas.
Almas.
Ora casa, ora abrigo, porto de chegada e de partida
dos seus únicos senhorios: os leitores e os não leitores.
Algumas bibliotecas acreditam.
Viveram tantas histórias que estão condenadas a acreditar.
São de todas as mais raras.
Teimam em iluminar rumos
sinalizar o chão firme da cultura da palavra
da  boa palavra
como a saída para a construção do Homem Novo.
Por acreditarem tanto
que  um dia vai ser possível abraçar
todos os que habitam
esse lugar improvável,
reerguem-se permanentemente:
a cada ausência, a cada encantamento,
a cada riso de menino, a cada aplauso,
a cada poema lido ou cantado
a cada memória …
São bibliotecas sem sono.

                                                                                                                                                 Ao  Mestre

terça-feira, 24 de abril de 2012

De repente



Este ano as andorinhas demoraram a chegar.
e de repente
chegaram.
Agora sim
gorjeiam na janela.
Escuto-as sem entender.

Repetem velhos rituais.
As andorinhas sabem que só os rituais ajudam a preparar o tempo
o que passou e o que ainda virá.
As andorinhas sabem naturalmente

No final do Verão
um dia
de repente
darei conta que partiram

Aos beirais mudos
ao silêncio agitado
perguntarei:
- Voltarão?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CORTAR !!!! ?

Era uma vez um país desgovernado.Os Governos que o governaram, sempre foram composto por gente bem governada, que tomava todos os dias decisões bem governadas´e ninguém compreendia como é que, com governantes tão bem governados , o país estivesse naquela vergonha.
- Para tantos problemas no governo da Nação~, só há uma solução! – Anunciavam aos quatro ventos o primeiro , o segundo, o terceiro , o quarto poder , o quinto … todos a uma só voz: Cortar!!!! ( O poder nos países mal governados fala sempre uma voz. O de hoje e o de sempre.Partilham afinidades naturais, cumplicidades várias e o elevado sentido de missão.

Em todos os lugares a palavra ressoou imensa, percorrendo todos os poderes que tinham o poder de cortar. Ampliou-se por toda a estrutura e o país envergonhado deixou-se cortar inteiro. Uns confiantes, outros impotentes, uns incrédulos, outros indiferentes , enquanto meticulosamente os governantes no poder, se governavam.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quase que aposto ...

" O editor da Teorema e a editora da Estrela Polar, assim como os dois gestores de marca, o da Dom Quixote e o da Asa, estão entre as mais de 30 pessoas de diversos sectores que o grupo editorial Leya está a despedir desde terça-feira, no Porto e em Lisboa, alegando extinção de postos de trabalho. " assim começava a notícia do Jornal Público, que escondia o nome de José Oliveira, como um dos dispensados.

Vai por bom caminho a edição em Portugal, quando dispensa editores do perfil e da qualidade de José Oliveira. Vai por bom caminho a Leya quando se dá ao luxo de prescindir do saber, da competência, da paixão , de um editor como o José Oliveira e... quase que aposto que esta extinção tem um sabor a revanchezinha, a acerto de contas, mascarada com as contingências dos novos mercados ... no que estas , as contigências , tem de mais abjecto . Um abraço para o José Oliveira , de quem trabalha em leitura pública e muito tem para lhe agradecer enquanto editor.
Um abraço de Beja e que o cante nos acompanhe.
http://youtu.be/AwPQ661_7ms