No sentido de assegurar que em 2014 , este blogue continuará a ser um espaço onde se discutem ideias e ideais , informamos que a partir de hoje não serão publicados comentários a post, cujos conteúdos expressem ofensas a terceiros ou sejam feitos a coberto do anonimato.
Aos lesados por esta medida tardia, envio as minhas desculpas.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Dia primeiro
Estou surpreendida com os ecos que o vento me devolve.
Escutar o vento é quase sempre bom mas... também é preciso dizer que por vezes, à força de ser repetidos, os ecos atropelam-se, deturpam as intenções , criam enganos ... e isto a ver pelo tom de alguns comentários que circulam neste fantástico abismo que é a internet - lugar onde nos podemos perder entre ecos - ainda a propósito da Carta a Bartolomeu.
Desta vez os ecos dizem-me que andamos a perder o centro , que se abusa do conforto do anonimato, se cai na fulanização das questões. Dizem-me os ecos que corremos o risco de nos perdemos nas acusações e apreciações sobre quem fez , faz , ou fará maior estrago, incapazes de distinguir o acessório do central .. e o central é discutir hoje, passados tantos anos de ação do poder local democrático e de leitura pública , como recuperar a centralidade das Bibliotecas na vida dos cidadãos, não por que elas sejam o único acesso à elevação do sujeito, mas porque elas são um poderoso instrumento na sustentabilidade de um projeto de desenvolvimento para um concelho. O central é discutir que políticas de leitura podem ser postas ao serviço do trabalho educativo, da formação de adultos, do trabalho social , de combate sem trégua às iliteracias e à exclusão, das políticas de valorização da identidade e da memória de uma comunidade, de acesso às linguagens que nos permitem que nos expressemos como sujeitos. E importa que essa discussão possa envolver os recursos humanos que possuímos, o melhor que soubermos e pudermos.
Por aqui me fico neste dia primeiro! Estou a ficar sem tempo pois ainda tenho de preparar a oficina de escrita no estabelecimento prisional , as sessões com as minhas Marias : as da Cabeça Gorda - onde vamos começar com o "A Minha boca parece um deserto" - e as de Santa Vitória, onde vamos começar a ler a Marabília e estou deserta para lhes falar do espanto daquele lugar, Azinheira Velha, onde uma mulher um dia foi engolida pela terra. Tenho de preparar o encontro dos meus meninos com o livro "Avós" e começo a ficar sem tempo.
Abraços grandes para todos e felicidades para este ano acabadinho de estrear!
domingo, 29 de dezembro de 2013
Carta a Bartolomeu
Carta a Bartolomeu
Caro Bartolomeu lembrei-me de si no outro dia, a propósito do que anda a acontecer com as novidades editoriais, misteriosamente desaparecidas dos escaparates das Bibliotecas Públicas Portuguesas. De vez em quando somos surpreendido com um título desconhecido - porque se mudou de lugar, ou prateleira - mas novidades, novidades, nem vê-las. Resolvi experimentar na biblioteca mais próxima, a de Beja, com Marabília, o livro de Teresa Meireles, recentemente editado. Uma “ belezura de livro”, dirá o meu amigo quando o ler.
Quem me atendeu foi um rapaz simpático. Referenciou no catálogo os livros que tinham da autora, uma longa lista e também os pedidos de reserva e informou com modos de desculpa:
- Esse exactamente, Marabília, não está disponível. Mas a espera é pequena, um mês e picos. Posso também tentar um empréstimo inter - bibliotecas? - sugeriu sorrindo - mas se a senhora gosta desse Universo, posso sugerir-lhe … escutei nomes familiares e agradeci a gentileza. Vê-se que teve bom mestre:
- O leitor vem comprar riscado e se não tivermos o riscado, mostramos o que temos: o xadrez, as pintas , o estampado de flores a serrapilheira e… se nada servir, pede-se emprestado, encaminha-se … mas o leitor tem de sair da Biblioteca com uma resposta. - dizia o Mestre dos Mestres da leitura pública.
- Pode imprimir a lista do que está disponível da autora?- pedi-lhe insistente.
- Gostaria muito minha senhora, mas temos as impressoras fora de serviço e não tenho previsão de uma solução. Posso no entanto, assim que recuperar o sistema informático, enviar por email, para a menina das fotocópias e ela imprime dali, ou para o seu email pessoal.
– E já têm o livro do Afonso Cruz ? O “ do Cultivo das Flores de Plástico – perguntei decidida em aprofundar a experiência e já agora também, em matar aquela necessidade de leitura urgente, em ultrapassar a assimetria que representa viver na província, em ter uma resposta local para as minhas necessidades culturais, em conseguir aceder gratuitamente ao que não posso pagar, em levar o livro na hora!
– Pois esse também ainda não temos - respondeu delicadamente - mas posso enviar-lhe um email assim que estiver disponível?
Ele sabe, que em tempo de vacas magras não sobra muito dinheiro para a compra de livros, que em bolsa contada não há devaneios, e que as bibliotecas podem ter um papel fundamental na democratização do acesso à fruição cultural. Teimosamente insiste em fazer a sua parte :
- Temos todos os outros que o autor escreveu? Podem é estar fora. - Vê no computador e parte na direcção da estante, volta cansado, mas triunfante … aposto que este ainda não leu?
Dizem-me que nos últimos tempos é assim em muitas bibliotecas: aquisições de novidades com atrasos (entre seis meses, um ano, ou dez) dificuldade em adquirir serviços, programação escassa, centralizada, coordenadas por quem sabe pouco de leitura e/ou gerida por empresas exteriores, ares condicionados avariados, parque informático em mau estado. Dizem-me que por todo o lado as bibliotecas perdem espaço, na vida dos cidadãos e na vida das autarquias. Muitos bibliotecários, com dezenas de anos de trabalho e experiência, são tratados como se nada tivessem para dar novas politicas culturais: as serão executadas nos próximos quatro anos de mandatos eleitorais. As Bibliotecas que conseguem aguentar-se, tem normalmente equipas notáveis de funcionários, como o que me atendeu. Mas estão cansadas.
Recordo que em 2006 me disse, ou se não disse foi isso que eu percebi com o seu acento minerinho, que as bibliotecas são sempre o retrato do poder que as administra, do grau de exigência dos seus leitores mas sobretudo na genialidade e dedicação das suas equipas: - Se você quer conhecer a natureza de um político, a sua visão, visite as bibliotecas que dele dependem. Meninaaa! O Poder nem sonha a força que têm as Bibliotecas na mudança do Mundo. Se soubesse cuidaria melhor delas: das bibliotecas, dos leitores e das equipas.
Só o meu amigo para dizer esta frase!
Tenho saudades suas Bartolomeu e mando-lhe um abraço! Quando puder veja o que postei propósito desta carta. Taquelim
Caro Bartolomeu lembrei-me de si no outro dia, a propósito do que anda a acontecer com as novidades editoriais, misteriosamente desaparecidas dos escaparates das Bibliotecas Públicas Portuguesas. De vez em quando somos surpreendido com um título desconhecido - porque se mudou de lugar, ou prateleira - mas novidades, novidades, nem vê-las. Resolvi experimentar na biblioteca mais próxima, a de Beja, com Marabília, o livro de Teresa Meireles, recentemente editado. Uma “ belezura de livro”, dirá o meu amigo quando o ler.
Quem me atendeu foi um rapaz simpático. Referenciou no catálogo os livros que tinham da autora, uma longa lista e também os pedidos de reserva e informou com modos de desculpa:
- Esse exactamente, Marabília, não está disponível. Mas a espera é pequena, um mês e picos. Posso também tentar um empréstimo inter - bibliotecas? - sugeriu sorrindo - mas se a senhora gosta desse Universo, posso sugerir-lhe … escutei nomes familiares e agradeci a gentileza. Vê-se que teve bom mestre:
- O leitor vem comprar riscado e se não tivermos o riscado, mostramos o que temos: o xadrez, as pintas , o estampado de flores a serrapilheira e… se nada servir, pede-se emprestado, encaminha-se … mas o leitor tem de sair da Biblioteca com uma resposta. - dizia o Mestre dos Mestres da leitura pública.
- Pode imprimir a lista do que está disponível da autora?- pedi-lhe insistente.
- Gostaria muito minha senhora, mas temos as impressoras fora de serviço e não tenho previsão de uma solução. Posso no entanto, assim que recuperar o sistema informático, enviar por email, para a menina das fotocópias e ela imprime dali, ou para o seu email pessoal.
– E já têm o livro do Afonso Cruz ? O “ do Cultivo das Flores de Plástico – perguntei decidida em aprofundar a experiência e já agora também, em matar aquela necessidade de leitura urgente, em ultrapassar a assimetria que representa viver na província, em ter uma resposta local para as minhas necessidades culturais, em conseguir aceder gratuitamente ao que não posso pagar, em levar o livro na hora!
– Pois esse também ainda não temos - respondeu delicadamente - mas posso enviar-lhe um email assim que estiver disponível?
Ele sabe, que em tempo de vacas magras não sobra muito dinheiro para a compra de livros, que em bolsa contada não há devaneios, e que as bibliotecas podem ter um papel fundamental na democratização do acesso à fruição cultural. Teimosamente insiste em fazer a sua parte :
- Temos todos os outros que o autor escreveu? Podem é estar fora. - Vê no computador e parte na direcção da estante, volta cansado, mas triunfante … aposto que este ainda não leu?
Dizem-me que nos últimos tempos é assim em muitas bibliotecas: aquisições de novidades com atrasos (entre seis meses, um ano, ou dez) dificuldade em adquirir serviços, programação escassa, centralizada, coordenadas por quem sabe pouco de leitura e/ou gerida por empresas exteriores, ares condicionados avariados, parque informático em mau estado. Dizem-me que por todo o lado as bibliotecas perdem espaço, na vida dos cidadãos e na vida das autarquias. Muitos bibliotecários, com dezenas de anos de trabalho e experiência, são tratados como se nada tivessem para dar novas politicas culturais: as serão executadas nos próximos quatro anos de mandatos eleitorais. As Bibliotecas que conseguem aguentar-se, tem normalmente equipas notáveis de funcionários, como o que me atendeu. Mas estão cansadas.
Recordo que em 2006 me disse, ou se não disse foi isso que eu percebi com o seu acento minerinho, que as bibliotecas são sempre o retrato do poder que as administra, do grau de exigência dos seus leitores mas sobretudo na genialidade e dedicação das suas equipas: - Se você quer conhecer a natureza de um político, a sua visão, visite as bibliotecas que dele dependem. Meninaaa! O Poder nem sonha a força que têm as Bibliotecas na mudança do Mundo. Se soubesse cuidaria melhor delas: das bibliotecas, dos leitores e das equipas.
Só o meu amigo para dizer esta frase!
Tenho saudades suas Bartolomeu e mando-lhe um abraço! Quando puder veja o que postei propósito desta carta. Taquelim
domingo, 15 de dezembro de 2013
e já agora a propósito da carta.a Bartolomeu...
Vem este post a propósito do fim da comissão de serviço da Chefe de
Divisão de Bibliotecas Maria Paula Santos e da decisão legítima do novo
executivo, decisão que conheci no dia em que foi publicamente anunciada no
boletim municipal electrónico, disponível para consulta pública em :http://www.cm-beja.pt/docs/PDFs/Documentos/Boletim_electronico/05/Despacho_Chefe_DE_e_resp_DB_-_29NOV2013.pdf ) - edição nº 5/2013. Diz o despacho:
Não usarei estas linhas para fazer apreciações de carácter, sobre quem
tomou a decisão ou lançar na praça pública assuntos que antes devem ser
tratados na privacidade das organizações. Não tocarei em nomes. Tenho para cada
um dos envolvidos deveres institucionais e de lealdade pessoal. Tenho um
compromisso para com os leitores e não leitores com quem trabalho. Tenho
deveres para com a equipa que integro e que todos os dias dão seu
contributo para a criação de um HOMEM NOVO, aquele que - como dizia Bento de Jesus
Caraça - tem consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na
sociedade a que pertence; tem consciência da sua personalidade e da dignidade
que é inerente à existência como ser humano; o que faz do aperfeiçoamento do
seu ser interior a preocupação máxima e fim último da vida.” (acho que usei
esta frase num post antigo, a propósito de uma outra comissão de serviço , num outro equipamento cultural - aqui nesta etiqueta ( entre linhas)?
Tenho também deveres de consciência e por isso não me posso demitir de expressar publicamente que, apesar de reconhecer a legitimidade de quem assim decide, apesar de reconhecer total legalidade na decisão, discordo em absoluto com a forma como todo o processo foi gerido e também com a decisão tomada. Por isso deixo público, o meu comentário de funcionária pública, sobre uma decisão que é pública. Internamente, se me for dada tal oportunidade, comentarei o processo.
Também sei que existem outros enquadramentos legais, para esta situação e que outras soluções igualmente legais seriam possíveis. Soluções que garantissem o maior envolvimento da Biblioteca, através da sua representante directa, nos fóruns técnicos, onde se reflectem, discutem, questionam, fundamentam e apoiam, as decisões e a execução das políticas culturais do concelho.
Lamento o facto desta decisão, ter sido tomada em relação a um quadro
dirigente de uma equipa que sempre deu provas, mesmo nas condições mais adversas. Uma equipa que nestes 20
anos de existência, não parou de encontrar novas soluções para novos problemas.
Veja-se o que foi manter a biblioteca a funcionar,
nos últimos anos, num quadro económico e social de grandes
fragilidades, encontrando respostas para problemas de diferentes
naturezas, identificando formas de trabalhar com baixos custos, concorrendo com projectos para encontrar financiamentos, realizando
ainda as, por muitos consideradas, melhores Palavras Andarilhas de sempre.
Lamento também o desperdício, pois a dirigente tem uma notável capacidade de trabalho, formação especializada na área da gestão autárquica, na área do planeamento e gestão documental, prestigio no meio e parece-me que qualquer novo executivo ganha em ter por perto gente que sabe e se dedica, mesmo que nem sempre concorde. Poder contar com técnicos que garantem com empenho, o trabalho que é feito num equipamento cultural, parece-me uma arma poderosa. Poder contar com um equipamento que possa ser o rosto de uma política cultural de qualidade num qualquer território, é um privilégio. E acho que já tenho tempo de casa suficiente para dizer, com alguma segurança que todos os executivos contaram desde a primeira hora com esta biblioteca. Foi assim com Carreira Marques, com Francisco Santos, com Jorge Pulido Valente. Os executivos e o Concelho.
Lamento que, existindo uma solução de coordenação de proximidade, conhecedora
dos processos em curso, dos procedimentos, das rotinas em áreas técnicas especificas,
das soluções já experimentadas, disponível para trabalhar com TODOS, não se
tenha optado por manter a dirigente a coordenar a equipa, à semelhança de
outros dirigentes que coordenam equipas sem serem chefes de divisão,
possibilitando: acesso privilegiado à informação, mais eficácia na resposta e a
possibilidade da Biblioteca participar na reflexão e discussão das questões
sócio- educativas e culturais do concelho.
Lamento-o também, por considerar uma decisão profundamente injusta. Conheço
a Paula Santos, há muitos anos, nos últimos cinco anos como minha superior
hierárquica. Nem sempre concordamos, por vezes empinamos cristas, mas aquilo
que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos separa. Reconheço-lhe
alguns defeitos mas muitos mais méritos e um deles é nunca voltar a cara à
borrasca e insistir, e argumentar, e pressionar para se encontrar uma solução
para o elevador, para o ar condicionado e batalhar para que a máquina não pare,
as impressoras funcionem, as novidades entrem na estante, que a programação
faça sentido com o que andamos a fazer no terreno, para se responder com
qualidade às necessidades dos leitores, para que se encontre uma solução
informática estável e integrada para servir melhor os utilizadores e melhores
condições de trabalho aos técnicos. Numa luta permanente para que a Biblioteca
não perca centralidade, na vida da organização e na vida das pessoas, dos
cidadãos.
Durante estes últimos anos aposto que passaram muitas vezes, depois da
meia noite na Rua da Biblioteca, mas tenho a certeza que poucos olharam para a
varanda. SE OLHASSEM , VERIAM , uma luz aberta pela noite dentro. Como no tempo
do Mestre, a luz daquele gabinete é quase sempre a última a se apagar.
Espero que esta decisão se deva apenas a uma precipitação, um
desajeitamento, fruto do turbilhão de decisões que tem de ser tomadas. Espero... e mais não direi sobre o assunto! Por aqui me
fico, nos ficamos, continuando a trabalhar clássicos quando não há novidades, continuando a
pensar e repensar como fazer mais tendo cada vez menos; a motivar equipas que
há anos estão em perda salarial e de direitos de trabalho. Continuando a
semear, como é nossa obrigação, trabalhando todos os dias para a missão maior das Bibliotecas:
construir comunidades.
Devia este post à minha consciência e à Paula Santos.
domingo, 15 de setembro de 2013
De regresso ao blog e a propósito da XANA TOC TOC
Estou feliz por saber que os
meninos de Beja vão poder aceder hoje à tarde ao espectáculo da Xana TOC! TOC! Vão
fazê-lo na belíssima sala do Pax – Julia, numa espécie de despedida de férias e
início do calendário escolar. Não conheço o espectáculo.
Da criadora apenas conheço meia dúzia de vídeos disponíveis na internet e a história sobre o seu nome : Chama-se Toc Toc porque passa a vida a bater à porta dos moradores da ilha dos sonhos- rodeada de magia, fantasia – inquietando-os com as suas perguntas.
Sei também que é muito mediática cobrindo muitos tipos de públicos : crianças e adultos.
Salas cheias, estádios, a Norte a Sul e nas Ilhas como os vídeos e as fotografias, podem comprovar: uma moldura humana impressionante. Uma massa.
Sei também que tem um marketing poderoso e curioso. No blog da artista, onde o clube de fãs deixa milhares de mensagens , anuncia-se que por " 19,99€ pode comprar um Pack completo Regresso às Aulas Xana Toc Toc e receber como oferta uma Bandolete ou Ganchos Xana Toc Toc. Esta oferta é limitada ao stock existentes." Para bolsas mais curtas, o site propõe, por 4,80€ " um Livro de Atividades Xana Toc Toc 5 com o Jogo dos Óculos Mágicos e a Verdinha Toc Toc. (Histórias + Atividades + Autocolantes Coleção composta por seis entregas, distribuídas aos sábados de 1 de Junho a 6 de Julho de 2013, por apenas 3, 50 € na compra do DN ou JN. Preço total da coleção: 21€ + preço do jornal).
É um espectáculo de música. Cada bilhete custa, 12€.
Suponho que à autarquia tenha custado apenas os recursos técnicos e humanos, refeições e um ou outro alojamento, já que está integrado no programa Rede Arte Sul com Co – Finaceamento INALENTEJO/QREN/EU.
Mas isso não interessa por agora!
Apesar de não me rever, gosto da ideia do TOC TOC perguntador. Parece-me que o marketing que o suporta deixa os nossos meninos e pais reféns da sua pobre educação para o consumo, que esta opção não fica bem tão próximo de uma campanha eleitoral. Mas também isso não me interessa: em tempo de guerra não se limpam armas.
Não sei se é possível sonhar uma outra cultura para os territórios?
Ainda acredito que sim, por isso não me demito de fazer TOC TOC e perguntar!
Da criadora apenas conheço meia dúzia de vídeos disponíveis na internet e a história sobre o seu nome : Chama-se Toc Toc porque passa a vida a bater à porta dos moradores da ilha dos sonhos- rodeada de magia, fantasia – inquietando-os com as suas perguntas.
Sei também que é muito mediática cobrindo muitos tipos de públicos : crianças e adultos.
Salas cheias, estádios, a Norte a Sul e nas Ilhas como os vídeos e as fotografias, podem comprovar: uma moldura humana impressionante. Uma massa.
Sei também que tem um marketing poderoso e curioso. No blog da artista, onde o clube de fãs deixa milhares de mensagens , anuncia-se que por " 19,99€ pode comprar um Pack completo Regresso às Aulas Xana Toc Toc e receber como oferta uma Bandolete ou Ganchos Xana Toc Toc. Esta oferta é limitada ao stock existentes." Para bolsas mais curtas, o site propõe, por 4,80€ " um Livro de Atividades Xana Toc Toc 5 com o Jogo dos Óculos Mágicos e a Verdinha Toc Toc. (Histórias + Atividades + Autocolantes Coleção composta por seis entregas, distribuídas aos sábados de 1 de Junho a 6 de Julho de 2013, por apenas 3, 50 € na compra do DN ou JN. Preço total da coleção: 21€ + preço do jornal).
É um espectáculo de música. Cada bilhete custa, 12€.
Suponho que à autarquia tenha custado apenas os recursos técnicos e humanos, refeições e um ou outro alojamento, já que está integrado no programa Rede Arte Sul com Co – Finaceamento INALENTEJO/QREN/EU.
Mas isso não interessa por agora!
Apesar de não me rever, gosto da ideia do TOC TOC perguntador. Parece-me que o marketing que o suporta deixa os nossos meninos e pais reféns da sua pobre educação para o consumo, que esta opção não fica bem tão próximo de uma campanha eleitoral. Mas também isso não me interessa: em tempo de guerra não se limpam armas.
O meu TOC TOC perguntador prende-se
apenas com o facto deste espectáculo, ter sido proposto para financiamento por
um conjunto de autarquias – o que é notável! – que o escolheram coincidindo no
tipo de programação cultural e abordagem estética que oferecem para a sua comunidade– o que é surpreendente! - em
detrimento de outro tipo de espectáculo ou projecto continuado que seja
realmente transformadores – o que é dramático !
ToC. ToC. Porque ? É
preciso começarmos a perguntar como a XANA ?
Porquê que as autarquias que integram
esta rede, podendo explorar, propor outras possibilidades de cooperação, outro
tipo de projectos que deixem marcas verdadeiramente transformadoras na educação
das nossas crianças e famílias, raramente o fazem?
Toc Toc . Porquê não aproveitar a
oportunidade de uma Arte em Rede para trabalhar com os criadores locais ou
outros convidados, propondo um trabalho sério: residências artísticas,
projectos continuados - desenvolvidos em contexto escolar , ou extra escolar que
resultem em performances espectáculos, que incluam actores, músicos, e crianças?
Toc Toc . Porquê não candidatar
outros projectos? : que possam desenvolver-se nas comunidades rurais mais pequenas; envolvendo
crianças, jovens ou idosos, num trabalho inteligente que ajude a reconstruir
relações inter geracionais e identidades, quebrar o isolamento e/ou as fraturas
sociais?
Toc Toc – Porquê não aproveitar a
oportunidade do trabalho em rede e respectivo financiamento para a construir projectos
de formação de públicos, de desenvolvimento comunitário, que potenciem a voz
das comunidades?
Toc Toc . Porquê que mais do que
gerir as oportunidades que um financiamento comunitário nos traz, não se criam
oportunidades para potenciar a relação dos cidadãos com outro tipo de experiências estéticas, realmente
transformadoras? Porque estas opções e não outras?
Não sei se alguma vez saberemos
em Beja, o impacto social de projectos de outra natureza: construídos com as
comunidades, partindo do que conhecem, dando-lhes a conhecer, oferecendo-lhes
instrumentos para expressar. Não sei se é possível sonhar uma outra cultura para os territórios?
Ainda acredito que sim, por isso não me demito de fazer TOC TOC e perguntar!
domingo, 26 de agosto de 2012
A FUNCIONÁRIA PÚBLICA INFORMA
RETIROU- se PARA PASSAGEM PELA OFICINA PARA REVISÃO E MUDANÇA DE PEÇAS . NO REGRESSO ENTRARÁ EM MODO " FURACÃO ANDARILHO " .
Regresso improvável antes de Outubro. Residência nos próximos tempos " JARDIM PÚBLICO DE BEJA .
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Viver Abril em Maio!
São 3 horas da manhã e ainda estou no computador! Não estou sozinha. Em Lisboa , na Casa da Achada, no Porto na Fundação Serralves, em Amien na Associação Cardan, outros, muitos, trabalham furiosamente nestes dias.
Estamos em Plena Leitura Furiosa: uma atividade fabulosa, criada pela
Associação Cardan, desenvolvida em Portugal pela Casa da
Achada e que acontece em Maio, uma
espécie de ABRIL em MAIO onde, por três dias, se vive um IMENSO pedaço de vida, de verdade. Uma experiência humana fabulosa!
Viver em Maio, aquilo que de mais precioso nos vai ficando de Abril : a
liberdade do pensamento e dos afetos – é um privilégio.
Acabei de receber e ler o texto que o Afonso Cruz escreveu com o seu
grupo. Dentro de algum tempo chegará o da
Conceição Ruivo. Duas pessoas muito
especiais. Em Beja serão ilustrados pela Susa Monteiro e pelo Paulo Monteiro. Enquanto espero, de outros lugares - Porto , Amien, Lisboa - vão chegando : histórias, poemas, canções,
cartoons, ilustrações – lentamente… unindo
umas centenas de pessoas num imenso
puzzle de amores e desamores pela leitura, pela vida.
Acabei de receber um texto de Regina
Miranda , feito a Norte com adolescentes, agora
as ilustrações do Alberto Péssimo , tantas . Dezenas de textos e
ilustrações vão chegando a conta gotas, textos construídos
em parceria com velhos, refugiados,
adolescentes, mulheres e homens que nestes dias ganham consciência sobre o que
é criar, o que é a leitura, a força da palavra.
Imagino como ficarão os olhos de X, Y , Z, quando escutarem de H, as
palavras de embalo que lhe habitam o
peito e a memória. Quinze homens, quinze histórias que queremos todos , que venham a ter um final feliz. Obrigado malta da Horta. Imagino e guardo.
Sei que quando escutarem os textos, os olhos da Helena e da Gisela, do Márcio e restantes técnicos , ficarão mudos de emoção e todos daremos por bem aproveitadas , as 10 , 12 , 14 horas , destes últimos dias de trabalho: horas EXTRAORDINÁRIAS!
Sei que quando escutarem os textos, os olhos da Helena e da Gisela, do Márcio e restantes técnicos , ficarão mudos de emoção e todos daremos por bem aproveitadas , as 10 , 12 , 14 horas , destes últimos dias de trabalho: horas EXTRAORDINÁRIAS!
Recebo e arquivo. Organizo. Confiro. Tudo tem de estar pronto amanhã à
tarde para a Susa Monteiro fazer a maquete da brochura , que será impressa domingo de manhã pelo Gomes e pela Florbela , apresentada
no Domingo, lida e cantada pelo David Silva, pela Ana Oliveira , pelo Serafim.
Gostava que a casa estivesse cheia. Que todos fossem escutar as
palavras , as histórias que contam as
alegrias e dores, as gratidões e ingratidões dos dias, os quotidianos e sobretudo as ESPERANÇAS.
Dar voz a quem não tem voz : esse é também o papel de uma Biblioteca. PÚBLICA!
E só agora me lembrei: - Porra! Esqueci-me de picar o ponto !
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